Virar ME ou LTDA: quando o MEI precisa mudar e como fazer
Passou do limite, precisa de mais funcionários ou de um sócio? Veja quando o MEI precisa virar microempresa, quais são os caminhos e o que muda nos impostos.
Todo MEI que cresce chega num ponto em que o formato começa a apertar. O faturamento passa do limite, aparece a necessidade de um segundo funcionário, um amigo quer entrar como sócio, ou um cliente grande pede uma estrutura diferente. Nessa hora, a pergunta é: preciso virar empresa? E se precisar, como faço sem me complicar?
Neste guia eu te explico, sem complicação, quando a mudança é obrigatória, quando ela é uma escolha, quais são os caminhos possíveis e o que muda no seu bolso.
Em resumo
- Você precisa sair do MEI se passar do limite de R$ 81 mil por ano, tiver mais de um funcionário, quiser um sócio ou exercer atividade que o MEI não permite.
- O caminho mais comum é virar microempresa (ME), que pode faturar até R$ 360 mil por ano.
- A ME pode ser empresário individual, sociedade limitada unipessoal (sozinho) ou LTDA com sócios.
- Em muitos casos dá para manter o mesmo CNPJ.
- Os impostos passam a ser uma porcentagem do faturamento, no Simples Nacional, e a empresa precisa de um escritório contábil.
O que acontece se não resolver
Quem continua como MEI depois de passar do limite ou de deixar de cumprir as regras corre riscos sérios:
- Desenquadramento de ofício. A Receita pode tirar você do MEI por conta própria, com multa.
- Imposto cobrado para trás. Se o excesso passar de 20%, o ano todo pode ser recalculado como microempresa, desde 1º de janeiro (ou desde a abertura).
- Problemas com clientes. Notas emitidas fora da regra podem ser questionadas.
- Problemas trabalhistas. Ter funcionários sem poder registrar todos como MEI gera risco de processo.
O desenquadramento não é automático: você precisa comunicar a Receita até o último dia útil do mês seguinte ao mês em que passou do limite. Fazer a mudança de forma planejada sai muito mais barato do que ser pego depois.
Quando a mudança é obrigatória
| Situação | Precisa sair do MEI? |
|---|---|
| Faturou mais de R$ 81 mil no ano | Sim |
| Precisa de dois ou mais funcionários | Sim |
| Quer ter um sócio | Sim |
| Vai abrir uma filial | Sim |
| Vai exercer atividade fora da lista do MEI | Sim |
| Quer participar de outra empresa como sócio ou titular | Sim |
| Faturamento perto do limite, mas sem passar | Ainda não, mas vale planejar |
Atenção: existem propostas no Congresso para aumentar o limite do MEI, mas nenhuma foi aprovada até esta revisão, em outubro de 2026. Planeje com o limite atual.
Os caminhos possíveis
Empresário individual (EI)
Você continua sozinho, sem sócio. É o caminho mais parecido com o MEI. A diferença principal é que não há separação entre o patrimônio da empresa e o seu: se a empresa tiver dívidas, os seus bens pessoais podem responder.
Sociedade limitada unipessoal (SLU)
Também é uma empresa de uma pessoa só, mas com o patrimônio separado. Em regra, os seus bens pessoais ficam protegidos das dívidas da empresa. Hoje é a escolha mais comum de quem sai do MEI sozinho.
LTDA com sócios
É o caminho para quem vai dividir o negócio com outra pessoa. O contrato social define quanto cada um tem, quem administra e como os lucros são divididos.
Em todos os casos, a empresa pode ser ME (faturamento até R$ 360 mil por ano) ou, se crescer mais, EPP (empresa de pequeno porte). E pode continuar no Simples Nacional, se a atividade permitir.
Quanto custa resolver
A mudança tem três tipos de custo: a transformação em si, os impostos novos e o escritório contábil.
- Transformação. Pode ter taxas da Junta Comercial, que variam por estado.
- Impostos. No Simples Nacional, a empresa paga uma porcentagem do faturamento. Na primeira faixa, a alíquota começa em 4% para comércio e em 6% para muitos serviços. Algumas atividades começam em porcentagens maiores.
- Escritório contábil. A ME ou LTDA é obrigada a ter acompanhamento contábil. O escritório parceiro informa os honorários antes de começar.
- Pró-labore. Em geral, o dono passa a ter uma retirada mensal com contribuição para o INSS.
Exemplo calculado
Imagine um MEI de serviços que faturou R$ 120 mil no ano, passando de R$ 81 mil.
- Como MEI, ele pagava R$ 86,05 de DAS por mês, cerca de R$ 1.032,60 no ano.
- Como ME no Simples, numa atividade de serviço com alíquota inicial de 6%, pagaria cerca de R$ 7.200 no ano, ou R$ 600 por mês.
- Somam-se os honorários do escritório contábil e a contribuição do pró-labore.
Parece muito mais caro, e é. Mas lembre que ele está faturando bem mais que o limite. O ponto é colocar esse custo no preço dos seus produtos e serviços e planejar a mudança antes, em vez de ser surpreendido com o imposto cobrado para trás. Os números do exemplo são aproximados e mudam conforme a atividade.
Passo a passo
- Some o faturamento real. Inclua o que entrou no CPF pela atividade. Use a calculadora do limite.
- Escolha o tipo de empresa. Sozinho com patrimônio separado (SLU), sozinho sem separação (EI) ou com sócios (LTDA).
- Confira as atividades. Veja se elas permitem o Simples Nacional e em que faixa de imposto entram.
- Comunique o desenquadramento do MEI. No Portal do Simples Nacional, até o último dia útil do mês seguinte ao mês em que passou do limite.
- Faça a transformação na Junta Comercial. Em muitos casos, mantendo o mesmo CNPJ.
- Confirme a opção pelo Simples Nacional. Se a atividade permitir.
- Atualize os cadastros. Prefeitura, estado (se tiver inscrição estadual), bancos, clientes e emissão de notas.
- Organize a rotina nova. Com o escritório contábil: guias mensais, pró-labore, livros e declarações.
Antes de tudo, deixe o MEI em dia: DAS pagos ou parcelados e declarações anuais entregues. A próxima DASN-SIMEI vence em 31 de maio de 2027; ao sair do MEI, também é preciso entregar a declaração anual referente ao período em que você foi MEI. Eu confiro o prazo certo no seu caso.
Sinais de que está na hora, mesmo sem obrigação
Às vezes você ainda cabe no MEI, mas o formato já não ajuda o negócio. Alguns sinais comuns:
- Clientes grandes pedem outra estrutura. Algumas empresas e órgãos públicos preferem contratar empresas com mais estrutura ou com atividades que o MEI não cobre.
- Você recusa trabalho para não passar do limite. Se está deixando dinheiro na mesa todo fim de ano, o MEI está limitando o seu crescimento.
- Você precisa de ajuda fixa. Um funcionário só já não dá conta da rotina.
- Quer proteger o seu patrimônio. Com mais clientes e contratos maiores, separar os bens pessoais dos da empresa ganha importância.
- Vai pedir crédito maior. Bancos costumam olhar com outros olhos uma empresa com balanço e escrituração organizados.
Nesses casos, a mudança é uma decisão de negócio. Vale fazer as contas com calma, comparando quanto você paga hoje com quanto pagaria como microempresa, e quanto a mais pode faturar sem o limite do MEI.
O que não muda
Muita gente tem medo de perder tudo o que construiu. Na prática, em muitos casos você continua com o mesmo nome, o mesmo endereço, os mesmos clientes e, muitas vezes, o mesmo CNPJ. O que muda é a forma de pagar os impostos, a rotina contábil e o tamanho que o negócio pode alcançar.
Casos que complicam
Você passou mais de 20% do limite
Aí a saída do MEI volta a 1º de janeiro do próprio ano, ou à data de abertura. O ano todo é recalculado como microempresa, e a diferença de imposto entra com multa e juros. Somam-se as taxas Selic mensais do mês seguinte ao vencimento até o mês anterior ao pagamento, e no mês do pagamento entra 1%.
Você tem dívidas do MEI
Elas não somem com a transformação. A parte do INSS vai para a PGFN (negociação no Regularize). Já a parte de ISS ou ICMS pode ser cobrada pelo seu município ou estado, que têm regras próprias de negociação.
Sua atividade não pode ficar no Simples
Algumas atividades precisam ir para outro regime de impostos, com regras mais complexas. Vale ver isso antes de decidir.
Você quer um sócio que já tem outra empresa
Dependendo do faturamento das duas, isso pode afetar o Simples Nacional. Confira antes de assinar o contrato.
Como se preparar desde já
- Acompanhe o limite todo mês. A média de R$ 6.750 por mês é o seu sinal de alerta.
- Separe as contas. Tudo do negócio na conta do CNPJ.
- Ajuste os preços. Já pense no imposto da ME quando o faturamento crescer.
- Guarde os documentos. Notas, extratos e declarações dos últimos anos.
Quer que eu resolva com você?
Se você prefere não fazer isso sozinho, eu te ajudo. Eu analiso o seu faturamento e as suas atividades, te mostro o caminho mais adequado e acompanho a transformação com um escritório contábil parceiro.
O valor do serviço aparece no cartão abaixo, e eu te confirmo tudo antes de começar. Não peço sua senha gov.br: fazemos juntos por chamada de vídeo ou com procuração eletrônica autorizada por você. Impostos, multas e juros você paga direto ao governo, no seu nome.
Se você não sabe exatamente o que está pendente, o Diagnóstico Pro é um bom começo: eu consulto tudo e te entrego a lista completa.
Os valores reais dependem da atividade e do faturamento. O escritório contábil faz o cálculo exato antes da mudança.
Conteúdo informativo. Confira sempre as regras oficiais.
Fontes
Revisado em 11/10/2026.
Meu MEI não me atende mais: virar empresa (ME ou LTDA)
Para quem passou do limite, foi desenquadrado ou cresceu e precisa virar ME ou LTDA.
R$ 69,90 pela análise, abatido se você fechar a transformação
- Análise do seu caso, orientação sobre o melhor caminho (transformar o MEI em ME ou LTDA, ou dar baixa e abrir uma nova empresa) e acompanhamento do processo com o escritório contábil parceiro.